sexta-feira, 24 de abril de 2015

"Fica conosco, Senhor"! - Lc 24

Fica conosco, Senhor!



Caros irmãos e irmãs, Paz do Sagrado Coração de Jesus e o materno amor de Maria Santíssima a todos vós!

Estamos vivendo na Igreja o Tempo Pascal. Esta parte da nossa caminhada, é marcada pela alegria da presença do Ressuscitado entre nós! Isso mesmo! Aquele que foi condenado, preso, sofreu tormentos e martírios, morreu cruelmente pregado numa cruz, venceu a morte com a Vida nova.

Na semana que chamamos de Oitava da Páscoa, a Liturgia aponta para os vários momentos de aparição que o Mestre dignou-se fazer aos seus discípulos após sua ressureição.

Conhecemos o exemplo de Tomé, sobretudo na passagem do Evangelista João que nos narra assim: “A paz esteja convosco! Tendo dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. [...] Um dos doze, Tomé, não estava com eles quando veio Jesus. [...] Se eu não vir em suas mãos o lugar dos cravos e se eu não puser o meu dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não crerei” (Jo 20, 24-25)

Outro relato de aparição do Senhor, está, também, em João, no Epílogo (Capítulo 21), onde se lê: “Depois disso, Jesus mostrou-se novamente aos seus discípulos, às margens do mar de Tiberíades”.

Porém, a passagem que mais nos deixa encantados com a presença viva do Senhor em nosso meio, é a passagem dos Discípulos de Emaús. Encontramos em Lucas um belíssimo relato desta episódio que, ao mesmo tempo, nos conforta, mas questiona. Dediquemos algumas linhas acerca desse acontecimento.

“[...] Ora, enquanto conversavam e discutiam entre si, o próprio Jesus se aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles, seus olhos, porém, estavam impedidos de reconhecê-lo”. (Lc 24, 15-16).

Já nesta primeira parte da narrativa, percebemos um “Jesus que se põe a caminho”, ou se preferirmos, um “Jesus em movimento”, que não deixa que se entristeçam por sua causa. Ele caminha com eles, e mais adiante, dialogará com os mesmos. Porém, eles, assim como nós, nos dia de hoje, são impedidos de reconhecê-lo, não conseguem vê-lo e senti-lo como o Cristo Vivo e presente naquela circunstância.

“[...] Que palavras são essas que trocais enquanto ides caminhando? [...] Tu és o único forasteiro em Jerusalém que ignora os fatos que nela aconteceram nesses últimos dias? [...] O que aconteceu com Jesus de Nazaré [...]”. (Lc 24, passim).

Os discípulos estão com Ele, com Jesus de Nazaré e ainda questionam sobre sua certa ignorância em relação aos fatos que aconteceram em Jerusalém. “Tu não sabes?” Um deles chamado Cléofas, pergunta ao Mestre e Senhor. Devemos transportar-nos ao texto e seu contexto e imaginar, como diz um padre formador, ‘usarmos nossa imaginação’ para saborearmos a Palavra e compreender sua mensagem. É Jesus que se faz presente, a caminho, e são homens que, mesmo em sua presença, não o reconhecem e ainda o questionam. Quantas vezes não vemos o Senhor que caminha conosco! Quantos são os questionamentos que fazemos em relação desta doce presença entre nós!

“[...] esperávamos que ele fosse [...] ele, que era um profeta [...]” (Lc 24, passim). Estes são recortes da fala dos Discípulos a caminho de casa que demonstram o ‘o tom de passado’ da conversa com aquele forasteiro desinformado. Era passado. Tudo passou. Todas as esperanças e sonhos foram frustrados, pois o ‘Senhor passou’; passaram suas promessas, seus feitos grandiosos e suas belíssimas exortações. Passaram, ainda, sua presença na terra e restava a crueldade e intolerância humanas. Havia naquele caminhar a falta de esperança!

Como já dito, o Evangelho quer dizer algo de atual a nós e como não pensar em nosso caminhar sem esperança que, por muitas vezes, percorremos durante a vida? Falta Esperança em nós. Não vãs e passageiras esperanças, porque destas estamos impregnados. O que falta em nós é a virtude da Esperança! Como afirma o Catecismo da Igreja Católica, “Esperança é uma virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da Graça do Espírito Santo” (CIC 1817).

É tempo Pascal! Tempo de renovar nossa Esperança como peregrinos deste mundo. Um peregrino sem Esperança, é como um navio sem norte, sem direção!
Renovemos nossas disposições, reafirmemos valores e sejamos, cada dia mais, imagem e semelhança de Deus, construindo, assim, uma sociedade mais divina, mais filial e, como consequência, mais humana!


Abraços pascais!

sexta-feira, 27 de março de 2015

Padre Dehon e a Paixão de Cristo






















Caros irmãos e irmãs, Paz do Sagrado Coração de Jesus e o materno amor de Maria Santíssima a todos vós!

Estamos entrando na Semana Santa, tempo forte em nossa vida. Como disse no artigo anterior, a Quaresma indica este tempo favorável à conversão do coração, das atitudes – o rasgar o homem velho afim de que viva em nós o homem novo, renovado, segundo o Espírito Santo que nos deu o Pai, por Jesus.

Padre Dehon, fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, foi um amante do Mistério da Paixão de Cristo e viu, neste ato solene, elementos fundamentais da nossa fé e da nossa adesão a Cristo Jesus.
No Diretório Espiritual, obra deixada por ele aos seus religiosos, dedica parte à Paixão de Cristo e mostra como o Senhor nos ensina com seus atos diante de sua condenação e morte.
Assim nos diz: 
“No seu modesto triunfo, montando um jumentinho, no começo da Semana Santa, Nosso Senhor ensina-nos a doçura e a humildade: [...] ‘Aí vem o teu rei manso’ (Mt 21, 5). Em Betânia, durante a Semana Santa, Jesus dá-nos, junto dos seus amigos, um exemplo de fidelidade nas provações.  Durante a agonia, no Jardim das Oliveiras, com os seus indizíveis sofrimentos, ensina-nos o que é o pecado, quanto ele pesa na sua alma inocente. Convida-nos a nos unirmos à sua agonia, a passar com Ele as tardes, o começo da noite, para consolar o seu Coração com os nossos sentimentos de amor e de compaixão. Na presença dos juízes, Jesus mantém-Se em silêncio: ‘Mas Jesus continuava calado’ (Mt 26, 63).  Este silêncio revela-nos o seu abandono, a sua submissão à vontade do Pai, o seu amor para conosco. [...] Deseja, antes de mais nada, dar o seu sangue, a sua vida, para nos salvar. [...] Mas pede também que morramos para os nossos pecados, para os nossos defeitos, para a nossa natureza corrompida, a fim de vivermos uma vida nova, uma vida inteiramente sobrenatural, a sua própria vida. (D. E. 1998, p. 35)Podemos perceber, entre as atitudes do Salvador acima destacas que Ele, mesmo sendo Deus, passou por provações humanas. Dor, sofrimento, medo, angústia, sentimento de abandono. Experimentou em tudo nossa condição, exceto o pecado. Mas de tudo isso, o que mais chama a minha atenção e quero, pois, partilhar convosco, é o silenciamento de Nosso Senhor. Diante de Pilatos, dos algozes e daqueles que zombavam Dele, Ele nada dizia e de nada tentava se desviar, nos diz a Escritura. Padre Dehon diz: “Este silêncio revela-nos o seu abandono” (D. E. 1998, p. 35).

O que menos se faz atualmente, é silêncio. Porém, há uma distinção que devemos fazer entre silêncio material e silêncio interior, espiritual. Por silêncio material, entendemos o ato de não emitir ruídos sonoros, de evitar conversas, música e cuidar ao utilizar algum objeto para que este não faça ruídos. Ao passo que, por silêncio espiritual, entendemos algo mais voltado para nosso interior, para nossa intimidade. Em outras palavras, silenciar-se interiormente quer apontar uma atitude que, consequentemente, afeta nossa dimensão espiritual, ou, como diz Padre Dehon, nossa Vida Sobrenatural. Fica evidente que muitas vezes precisamos de uma certa junção dos ‘dois tipos de silêncio’ para obtermos êxito em nossa vida espiritual. Se estamos em um lugar silencioso, se passamos alguns momentos do dia mais recolhidos, mais reflexivos e meditativos, vamos, aos poucos, nos voltando ao nosso interior. E é no interior que conseguimos encontrar o Senhor, afinal, cremos que Ele habita em nós e se ‘esconde’ em nossas entranhas.

Partimos do silêncio de Jesus – silêncio de abandono, para nosso silêncio de encontro – consigo mesmo e com Deus.

São Bento, grande santo da Igreja, disse em certa ocasião que “o silêncio é o grande Mestre, pois ensina-nos sem falar nada”.

Que tal um pouco desta experiência? Vamos nos silenciar? Como disse no início, aproxima-se a Semana Santa; que tal fazermos dela um ‘Grande Retiro espiritual’; mas o quem será o pregador deste Retiro? Que apostila seguiremos? Quais as leituras bíblicas que meditaremos nos momentos oportunos?

Pode ser que eu tenha uma sugestão favorável: Deixe o Espírito Santo pregar seu retiro de Semana Santa, utilize e grande apostila da sua vida que ainda está em fase de construção. E as leituras bíblica, podem ser as da Liturgia própria da Semana Santa, as quais falam muito por si só!


Fraterno abraço! 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Quaresma: Tempo Favorável





Caros irmãos e irmãs, Paz do Sagrado Coração de Jesus e o materno amor de Maria Santíssima a todos vós!

Estamos vivendo o Tempo litúrgico da Quaresma, tempo este que, sem muitos rodeios, vai direto ao ponto: ‘Conversão’!

Sempre é tempo de conversão, de mudar de vida, de rumo e direção; essa ação é uma atitude frequente em nossa vida, em nossa caminhada sobre a terra. Caso contrário, seríamos os ‘sempre assim’ e nada nos impulsionaria, nos colocaria adiante e nos fortaleceria nas adversidades da vida presente.

Falar de Quaresma, é falar de um tempo, o qual é apontado, na linguagem bíblica, pelo número de 40 dias, onde o Senhor Jesus que “foi conduzido pelo Espírito ao Deserto” (Mc 1, 13a), retirou-se para se preparar para sua Missão salvífica no meio do povo. Por lá, “as feras o tentavam, mas os Anjos o serviam” (Mc 1, 13b).

Olhar para este ‘movimento’ de Jesus, é olhar também para o ‘movimento quaresmal’ em que cada um de nós é chamado. O ser levado pelo Espírito, aponta a dimensão do deixar-se conduzir por Deus, atitude esta que, sem dúvidas, não foi algo ausente da vida de Cristo, muito pelo contrário, Ele mesmo disse que “o meu alimento é fazer a vontade do meu Pai” (Jo 4, 33-34). O Cristo foi obediente em sua vida terrena e não hesitou em fazer aquilo que o Pai lhe designara e dera como missão em face de nossa Salvação.

Além da Obediência, percebe-se a tentação do demônio, o astuto por excelência, que quis fazer o Cristo obediente, tornar-se corrupto e falho. Acompanhamos no Evangelho de Mateus, no início do capítulo 4, as três grandes tentações que foram colocadas diante do Senhor: a primeira delas, foi a de transformar as pedras em pão, afim de que Ele se alimentasse e não mais fizesse o jejum que havia iniciado; na segunda tentação, o Filho de Deus é ‘testado’ em relação ao seu poder exatamente quando o demônio sugeriu que ele se jogasse do alto do templo; e, por fim, na terceira tentação, Jesus nega a adoração ao inimigo. Sequencialmente, as tentações resumem-se em Prazer, Poder e ter. O Cristo não quis se fartar com o pão, nem mostrar sua Glória e majestade, muito menos ‘ter’ os reinos prometidos pelo inimigo, exatamente por que não foi para isso que ele veio – para se mostrar e ser servido.

Ele veio para servir. Seria familiar essa expressão? Sim! “Eu vim para servir” (Mc 10,45) é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano que é para nós uma chamada de atenção em relação à nossa vida de serviço, de doação, de ‘esvaziamento de nós mesmos’ para nossa doação ao próximo, à sociedade que está gritando e pregando, exatamente, que o Prazer, Poder e Ter devem ter a primazia na vida moderna.

Conversão, por fim, é esta mudança, uma espécie de, como dizem no popular, ‘remar contra a maré’ e lutar pelos valores para uma vida mais digna e justa. Conversão é ‘ver como algo está e buscar meios para que, se for preciso, não esteja mais assim’. É mudança, às vezes radical, sem contornos nem desculpas velhas. É, sobretudo, confiança, afinal quem confia sabe que pode ‘mudar de rota’ e pegar outra via, pois tem Alguém que é, para todos, sem acepção de pessoas, “O Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6)

Desejo um bom final de Quaresma e um proveitoso tempo da Paixão do Senhor!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Santa Margarida Maria Alacoque, a esposa do Coração de Jesus (Parte 01)




Com o desejo de conhecer melhor e de modo mais aprofundado a vida dos Santos e Santas padroeiros da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, resolvi ler sobre estes e partilhar aqui no meu blog simples anotações que estou fazendo ao longo das leituras. Caso resolva ler comigo, boa leitura!!!


"Jesus, que a destinara a reacender no mundo o fogo do seu divino amor, quis que ela fosse por este inflamada desde o alvorecer dos seus dias, e de bênçãos celestes mandou que os seus anjos lhe enflorassem o berço". 

(Santa Margarida Maria Alacoque, a esposa do Sagrado Coração de Jesus. Obra compilada pelo Servo de Deus Pe. André Beltrami. 1932. p. 05)

Aos 22 de julho de 1647, nasce Margaria Maria Alacoque, em Lhautecour, próximo de Paray, na França. Sua mãe, Felisberta Lamyn, sempre teve o pressentimento de que sua filha haveria de desempenhar uma missão sublime na Santa Igreja.
Com cinco anos de idade, a santa já odiava a sombra do pecado, como nos relata um dos seus historiadores com base em informações de seus pais a respeito de algumas inclinações da menina. “Era preciso apenas dizer que isso causava desgosto a Deus” para que ela desistisse do que pretendia.
Relatou seu irmão que certa vez, em épocas de Carnaval, toda juventude da aldeia se encontrava nas praças e eram regados pelas belas músicas e danças festivas. Ele, por sua vez, convidou sua irmã Margarida para vestir-se de fantasias e se mascarar afim de participar das festividades. Ela, porém, disse ao irmão que tal ação ofendia a Deus e que ela preferia ficar no recolhimento e na oração. O mais curioso disso é sua idade: pouco mais de cinco anos!
Seus pais contam que Margarida sempre ficava pelos cantos da casa ajoelhada em oração; sua participação na vida da Igreja sempre foi ativa: Santo sacrifício da Missa, rituais sacros e passavam longos instantes em adoração, negando se retirar da presença do Santíssimo Sacramento.
Com o desejo de aprimorar a educação da filha, seus pais a enviaram para os cuidados de sua madrinha, Margarida. A menina continuava recolhida pelos bosques e campos, rezando insistentemente a Deus e mantendo com Ele íntimo contato. Ela ainda não sabia exatamente o que era o voto de castidade, mas sentia-se inteiramente chamada a se consagrar totalmente a Deus e a seu serviço. Em um dia, conta-nos ela em sua Autobiografia que no momento da consagração na Santa Missa, ela proferiu as seguintes palavras: “Deus do meu coração, consagro-vos a minha pureza, faço voto de perpétua castidade “, consagrando-se, assim, toda a Nosso Senhor.
Em uma filial devoção à Santíssima Virgem Maria, Margarida exalava santidade. Afirmou: “Recorri a Maria Santíssima em todas as minhas necessidades e Ela me livrou de enormes perigos. Não me atrevia a recorrer diretamente ao seu Divino Filho: sempre o fazia por meio d'Ela. Oferecia-lhe o santo Rosário, rezando-o de joelhos, ou fazendo tantas genuflexões quantas são as suas Ave-Marias, ou beijando o chão outras tantas vezes»

Mas a vida de Margarida também fora marcada por momentos de escuridão e dor, onde sua fé era o sustento e força para caminhar. Com o falecimento de sua madrinha, Margarida retorna à casa de seus pais no ano de 1655 e no fim do mesmo ano, Deus chama seu pai à glória eterna. A menina, porém, conforta-se com os cuidados de Deus e a Ele bendiz a todo tempo. Sua mãe a envia para o Convento das Clarissas devido sua falta de tempo para a dedicação necessária na educação da filha e Margarida ingressa neste ambiente religioso, experimentando o silêncio do claustro, a austeridade, a seriedade nas orações comuns, a modéstia e o recolhimento daquelas irmãs que serviam ao Senhor de um modo tão simples e verdadeiro que, aos poucos, seu coração foi sendo encaminhado para a consagração na vida religiosa a Deus.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Fotos que falam por si...

 Mosteiro beneditino São João, Campos do Jordão - SP 
Uma monja, após a Santa Missa, realiza suas tarefas....

...aos olhos humanos, uma simples atividade, aos olhos de Deus, uma grande doação de si mesma!



Um caminho: feito para ser trilhado, perpassado....andemos nos caminhos que Deus nos propõe!




segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Rezando com as palavras do Papa Francisco em Aparecida-SP

Foto: Danilo Cardoso Fuzatto - Aparecida-SP (24-07-2013)


Caros irmãos, Paz do Sagrado Coração de Jesus e o materno amor de Maria Santíssima a todos vós!

Acredito muito que nosso testemunho, seja escrito, seja dito ou retratado em alguma forma de expressão, é muito mais valioso do que todo um 'palavrório' difícil e complexo. Sempre acreditei muito nisso; busco sempre falar com simplicidade. É fato que não devemos eliminar a riqueza e o valor de conceitos, argumentos bem elaborados, a importância da intelectualidade ao falar e o sentido que tudo isso confere ao nosso discurso, dado que tudo isso nos provém de Deus, porém, o que não pode acontecer é deixar que estas segundas características sobreponham a primeira que apontei. Em outras palavras, não devemos deixar que nosso lado intelectual e conceitual, sufoque nossa expressão simples e cativante. Repito: Não sou contra o lado intelectual, de forma alguma! Mas creio que, como nos afirmou o Beato João Paulo II, nossa Fé deve andar ALIADA à razão e não cindida dela. "As duas asas - Fides (fé) et Ratio (razão)" constituem o equilíbrio humano que o permitem alçarem voos altos e longínquos. 
Escrevi tudo isso, pois tive uma experiência fantástica com as simples palavras do Santo Padre em Aparecida no mês de Julho. Mesmo nas horas de espera e na fria chuva que perpassou por toda madrugada, pude sentir alegria e aquecimento no coração quando o Sumo Pontífice nos aqueceu com suas sábias palavras.
Chamou-nos a atenção para três posturas da vida cristã: Conservar a esperança; Deixar-se surpreender por Deus e Viver na alegria.
Sobre Conservar a esperança, Papa Francisco nos disse que nossa vida é perpassada de sofrimentos e momentos de penúria, porém, Deus nunca nos deixa só, Ele sempre está conosco. Com alusão à passagem da primeira leitura da Santa Missa por ele celebrada naquele dia, a saber Apocalipse 12, 13a 15-16a, disse-nos que o 'Dragão' apresentado também nos atormenta, mas não é mais forte que nosso Deus e Senhor que conosco permanece e nunca, jamais nos deixa na luta da vida. Ainda exortou-nos a sermos "luzeiros de esperança" especialmente aos jovens que se encontram hoje em dia tão perdidos e carentes de modelos a serem seguidos.
Na atitude de Deixar-se surpreender por Deus, encontramos a afirmação de que sabemos sempre que Deus nos surpreende atuando em nossa vida, no nosso dia a dia. A história da aparição de Nossa Senhora foi o exemplo por ele utilizado, onde uma pesca cotidiana 'pescou' algo que mudaria o curso da história daquele local e a 'surpresa' concedida pela misericórdia de Deus àquele povo, resgatou tantos e tantos que estavam perdidos, com suas luzes apagadas e sem brilho. "Deus sempre nos reserva o melhor" disse o Papa, continuou ainda "Deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos suas surpresas"!
Por fim, convidando-nos a Viver na alegria, afirmou que possuindo esperança, deixando que Deus nos surpreenda, seremos alegres e "nosso vinho da alegria não nos faltará". "O cristão não pode ser pessimista"! Temos uma Mãe, Maria, que nos ensina a sermos perseverantes e está conosco com sua maternal intercessão! Lembrou Bento XVI, na ocasião da V Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho naquele mesmo local em 2007 quando disse: "O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro"!

Fiquei me perguntando sobre minha atitude e postura cristãs!?! A esperança tem sido minha segurança? A 'surpresa de Deus' tem sido minha alegria? Creio que muitas vezes sim, mas muitas vezes também não! Somos bombardeados de todos os lados no nosso dia a dia; atacados por informações das mais diversas, é um 'clic' ali e outro aqui, são muitas 'curtidas' e 'compartilhadas' num dia só, mas são poucas as vezes que paramos para olhar nos olhos dos nossos irmãos para ver o Cristo que há neles! São poucas!

Estas e tantas outras palavras do Santo Padre tem me levado a refletir sobre mim; minha vocação e vida de cristão católico...meu papel de filho, de irmão, de sobrinho, de neto, de primo, de seminarista, de irmão de outros confrades de opção religiosa....tenho me perguntado que sentido tenho dado a tudo isso!

Desejo que você, assim como eu tenho deixado, deixe-se surpreender por Deus e assim você terá sua esperança renovada e seu coração repleto de alegria!!!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Experiência curadora com o Povo de Deus




Caros amigos, Paz do Sagrado Coração de Jesus a vós!

Começo minha reflexão com uma frase ensinada por nosso fundador, Padre Dehon: "É preciso ir ao povo"!

Neste final de semana, passei por duas experiências muito belas, as quais, sem dúvida, ficarão guardadas em meu coração.

A primeira foi a animação de um encontro de catequese de Primeira Comunhão em uma das comunidades onde nós, seminaristas dehonianos atendemos. Passar um dia com aquelas crianças que, aparentemente, até pareciam não estar entendendo o "porque" de muitas coisas, foi uma experiência única; estar com eles, dançar e cantar, animá-los e conduzir reflexões, enfim, ser outro Cristo para eles, somente para eles. Um dos momentos mais tocantes deste encontro, foi o momento em que eles foram chamados a escrever uma carta para seu "melhor amigo - Jesus". Motivados por um dos nossos seminaristas, eles se acomodaram, cada um em um lugar que acharam ser o melhor; uns deitados no chão, outros espalhados pelos cantos...cada um se expressou da melhor forma; houve quem não sabia o que escrever e decidiu fazer um desenho - "Eu jogando bola com Jesus", também havia quem não sabia desenhar o Pai ou a Mãe, mas com muita insistência alguma coisa conseguiu. Ver aquelas crianças concentradas com o coração cheio de esperança, me fez pensar (e é este o motivo deste meu testemunho, fazer você também pensar!): Seria eu capaz de escrever "uma carta para Jesus"? Acaso eu a escrevesse, eu conseguiria ser "como criança"? Escrevê-la na pureza de intenção, na simplicidade? Ou eu inventaria textos e pretextos para falar difícil com Deus para tentar me esconder? Sou como criança? Se não sou....cuidado! "É preciso ser como Criança para entrar no Reino de Deus"! (Lc, 18).
Após esse "momento com Jesus", as crianças foram levadas a pensar nas suas famílias. As motivações conduzidas ocasionaram reflexões sérias e profundas sobre cada família; as condições de casa, o desejo de ser como o amigo ou vizinho, a valorização que damos ao que temos e ao que não temos também; o amor aos Pais, o dizer "Eu te amo" e até mesmo o simples abraço que trás consigo um afeto inexplicável! Também me questionei sobre isso...Como eu me encaixo nessa temática? Digo "Eu te amo" aos meus? Abraço? Beijo? Há diálogo? É para pensar seriamente nisso!

Uma segunda experiência que tive neste final de semana, foi a de encontrar com famílias que deixaram seus filhos participar de um acampamento de Crisma por três dias. Os pais foram chegando....tímidos, talvez. Aos poucos fomos nos conhecendo e animação tomou conta do lugar; ver os pais dançando e fazendo passos, foi especial, e engraçado, é claro! As meditações sobre a Sagrada Família de Nazaré e o verdadeiro sentido de ser família foram momentos tocantes deste pequeno encontro. Ver os pais e mães olhando para a imagem da Sagrada Família e fazendo suas preces e orações, não tem preço no mundo que pague! Lágrimas não foram contidas! Desde os mais novos aos mais velhos, as emoções tomaram conta dos corações! Passamos um vídeo chamado "IronMan" que mostra a vitória de um filho, deficiente, graças aos esforços do seu pai, em uma prova de resistência física e questionamos: Qual foi minha maior ação em prol dos meus filhos? Eu tenho coragem de fazer igual a este pai? Levo a sério a minha família? Há diálogo na minha casa? Amo meu esposo, minha esposa? Aos moldes da Sagrada família meditamos com eles o verdadeiro sentido e missão da família! Repito: lágrimas não foram economizadas!

Diante de tudo isso me peguei pensando...confesso que a emoção toma conta de mim nesses momentos vividos, momentos estes que, sem dúvidas, Deus se faz presente e escolhe os que ele quer para estar ali, naquele local, naquela hora e naquela circunstância!
Quero partilhar com vocês esta experiência pois creio, cada dia mais, que quando falamos (neste caso escrevemos), nosso coração se cura e aos poucos vamos dando passos e eternizando momentos dentro de nós; sim, creio na cura que acontece nesses momentos! Os encontros que participei com meus confrades foi para as crianças e, na outra ocasião, para pais, mas também foi para mim, para o Luciano, Filipe, Djony, Said, Paulo, Denner.....foi para cada um de nós que esteve por lá! Como queria que também o fosse para vocês que agora estão lendo o presente texto!

Deixo um questionamento: Tenho dado valor a minha vida? Tenho buscado colocar Deus como centro das minhas ações? Como anda minha família? Tenho amado os meus ou prefiro "amar os outros" que não são da minha casa? Já disse 'Eu te amo'? Quantas vezes? Abraço? Oro pelas pessoas que me pedem?

É hora de repensar nossa caminhada queridos irmãos! Nunca é tarde, ja sabemos disso, mas é hora! Estamos perdendo tempo demais com coisas de menos! Vamos valorizar as coisas boas e sagradas da vida! Chega de vaidade e sentimento de inferioridade! É hora de, como diria Padre Léo, aspirar, buscar as coisas do alto! Comece aqui e agora....o céu começa em você, como diria um autor!

Desejo isso.....Amor!