domingo, 4 de março de 2012

Quaresma - Deserto e crescimento


Caríssimos irmãos e irmãs na fé em Cristo! Paz do Coração de Jesus a vocês!


Como já é de nosso conhecimento, iniciamos o Tempo da Quaresma na vida litúrgica da nossa Igreja. Este tempo nos remete a reflexões mais intensas, penitência, oração, jejum, práticas de caridade fraterna, mas sobretudo, nos convida à conversão. 
"Eis o tempo de conversão". Converter-se significa mudar, alterar o percurso que se esta fazendo para que melhor sejam dados os passos, rumo à santidade, rumo a Deus, rumo ao céu. "Mudar de rumo" é, sem dúvida, a atitude daquele se reconhece pecador, levanta seu olhar e segue a voz do Pai.
É muito comum ouvirmos analogias, interpretações e até mesmo grandes explicações sobre o deserto. Já ouvimos falar que este é um local seco, sem vida, árido, quente, onde se caminha dias e dias e não se chega a lugar algum, a não ser somente em imensidões de areias regadas a sol quente, local onde a água é escassa e, quase sempre, inexistente, enfim, inúmeras interpretações sobre esta localidade. Porém, é necessário dar significado a tudo isso, o deserto é sim, um pouco de tudo isso, mas o deserto nos trás vida, é isso mesmo! Vida! quando se "passa por um deserto", vive-se mais sabiamente, mais santamente. Ao passar por este local árido e seco, você se fortalece e pode-se considerar um vencedor.
Os "desertos" vencidos por nós podem ser grandes ou pequenos; totalmente vencidos na seca ou com alguma quantidade de água; às vezes deserto apenas parcialmente; por vezes vivido intensamente às vezes não, enfim, existe sempre um aprendizado com o deserto, com esse local de passagem, local de purificação; e assim se cresce, vencendo desertos na vida!
Nas Sagradas Escrituras encontramos as narrativas das tentações que o Cristo sofreu em nosso nome para cumprir a vontade de Deus; Ter, poder e prazer (Mt. 4, 1-11), onde o diabo "oferece" "pão", reinos e coloca Jesus à prova sob inúmeros aspectos. Essas tentações também nós sofremos, porém, Cristo estava em oração constante no seu "momento de deserto", ou seja, estava o Senhor pronto para vencer às tentações diabólicas.
Creio que nós devemos irmãos e irmãs estar prontos, sempre prontos, ou melhor, sempre vigilantes e agirmos com prudência, pois, as tentações sempre virão mas nossa capacidade de lidar com elas e de vencê-las é algo a ser conquistado e, para que isso ocorra, devemos estar com os ouvidos atentos a voz de Deus, com o coração intimamente ligado a Ele e com a voz pronta para anunciar seu Reino!
Que nesta quaresma sejamos capazes de lidar com nossas práticas penitenciais e com elas aprendamos verdadeiros valores da vida cristã!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Santos Reis: fé, perseverança e adoração

 
 
 
Caríssimos irmãos e irmãs na fé em Cristo! Paz do Coração de Jesus a vocês!
 
 
É com grande alegria que hoje temos esta data tão importante e especial, não somente em nossa vida de Igreja, mas também em nossas tradições e piedade popular.
Quero refletir com vocês sobre o testemunho admirável dos Reis do Oriente que, de certa maneira, deixaram tudo para seguir uma estrela, presentear e adorar o Salvador Jesus.
Tomemos como ponto de partida a seguinte passagem do Evangelho: "[...] e eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou" (Cf.: Mt. 2).
Pode parecer uma simples e rápida passagem evangélica, mas a Sagrada Escritura nos trás inúmeros e ricos sinais de povos que caminharam pela fé, foram persistentes e conseguiram seus objetivos e ideias, os quais na maioria das vezes, foram sinais de contradição e controvérsia. Os Santos Reis ao partirem rumo a Belém, terra de Judá, para adorar o Menino, seguriam com fé, caminharam por caminhos estreitos e árduos e, com a mão divina sobre eles, foram isentos dos males e perigos que faziam parte da caminhada, afim de que chegassem com vida para cumprir o que havia sido dito pelos profetas: "[...] virão todos de Sabá, trazendo ouro e incenso, e publicando os louvores do Senhor" (Cf.: Is. 60, 6). A persistência dos Reis os fizeram caminhar e seguir o destino e, como disse o profeta,"publicando os louvores do Senhor" andavam dias e noites louvando e agradecendo a Deus pelo nascimento do Messias, o esperado das nações. Quando entraram em domínios de Herodes e se colocaram a perguntar sobre o menino, os Reis Santos venceram mais uma provação, desviando-se das maldades de Herodes e avisados em sonho, percorreram caminhos rumo ao local do nascimento de Cristo. Chegando ao destino, [...] "prostraram-se diante dele, o adoraram e ofereceram-lhe presentes [...]"  (Cf.: Mt. 2).
Fico pensando e, da mesma maneira gostaria que vocês pensassem comigo, a imensa alegria de todos os que estavam presentes nesta "cena". A alegria da Virgem Maria ao ver pessoas distintas (os Santos Reis) e também pessoas pobres (pastores e cuidadores dos rebanhos); São José, o justo, também se alegrou, pois tudo o que haviam escutado pelos profetas, estava se cumprindo e, alegria ainda maior, fora a dos Reis Santos do Oriente, os quais enfrentaram os perigos de uma viagem longa, persistiram e chegaram, apenas para adorar e presentear o Meninho Deus, nascido de uma Virgem!
Será que podemos sentir essa alegria? Será que podemos presentar o Menino Deus com algo agradável e bom? Nossos passos nesta terra, estão sendo dados rumo ao encontro deste Deus que se fez pobre e homem? Nossas ações estão voltadas para a humildade e simplicidade? Temos devida reverência diante do Senhor?
Penso que algumas perguntas devem ser feitas diariamente ao nosso coração. Toda pergunta tem sua resposta! Todo questionamento exige mudança para que seja cumprido! Questionemo-nos todos os dias queridos irmãos e, sem dúvidas, encontraremos respostas e direções para nosso viver!
Adoremos a Deus com sua devida reverência e amor e ofertemos presentes dignos de sua Majestade e poder!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

São Rafael, um amigo de caminhada!



Caríssimos irmãos e irmãs na fé em Cristo! Paz do Coração de Jesus a vocês!

Hoje quero escrver um pouco sobre São Rafael, o grande médico, a cura de Deus, o qual nos é claramente apresentado no Livro de Tobias, mais especificamente no capítulo 5 e seguintes.
O título que trás este capítulo na tradução da Bíblia de Jerusalém, é o de "Companheiro". É sobre esta temática da "companhia" que quero escrever algo que brota do meu coração.
Tobit, um homem justo que trilhou os caminhos da verdade durante toda a sua vida (Cf. Tb. 1, 3), necessitava de alguém que acompanhasse seu filho Tobias em uma missão de resgate a um empréstimo feito. A distância era longa e não existiam meios para o transporte, desta forma, se fazia necessário caminhar por entre bosques, matas fechadas, estradas estreitas e perigosas, para que assim se chegasse ao destino. Eis que aparece um homem para ser guia e companheiro e justifica-se como "alguém que procura trabalho, sou um israelita" (Cf. Tb. 5,5). desta forma, Tobit confia seu filho nas mãos do jovem que se coloca à disposição para ser guia na viagem.
Percorreram o caminho até o destino, a cidade de Média, onde encontraram o que pertencia a Tobit e, pela ação da graça divina, encontraram também Sara, a qual tornara-se, graças às instruções do anjo sobre a cura que lhe seria devida, esposa de Tobias.
Olhando para toda esta trajetória, fico pensando em nossa caminhada, nossa vida e vocação. Penso que, assim como o Senhor prometeu a Moisés "Eis que vou enviar um anjo diante de ti para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que tenho preparado para vós" (Cf. Ex. 23, 20), ele também nos envia esta proteção celestial, afim de que sejamos conduzidos pelas mãos do anjo protetor e, graças a sua ação, somos livres do mal e das condições de pecado. Porém, o que nos falta na maioria das vezes, é a plena e total confiança em Deus e na sua ação. Somos tomados de todos os tipos de informação, tecnologias e avanços científicos e Deus tem ficado cada vez menor em nossa vida, sendo ele apenas "mais um" na vida de muitos.
Nos resta confiar e esperar em Deus, crendo na sua promessa de proteção divina para nós enquanto peregrinos na terra. Acreditar nesta celestial proteção é dizer sim, assim como disse Maria de Nazaré; Crer nesta proteção é sair de onde estamos e ir ao encontro do outro; Crer é ser inteiramente de Deus, consagrando a ele nossos atos e vontades. Crer, na minha opnião, é ser totalmente de Deus e Dele esperar toda proteção e sorte de bençãos.
Acreditemos caríssimos irmãos e irmãs, para sermos, um dia, contemplados na Glória celestial!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Santos Inocentes.....existem hoje?


Caríssimos amigos, assim como já postei em outros locais hoje, a liturgia deste dia mexe comigo, me incomoda e faz-me pensar em muitas circunstâncias, especialmente nesta época de fim de ano, onde as festas ocupam um lugar central na vida da maioria da nossa população.
Gostaria de  começar com o Evangelho de Mateus, o qual nos é proposto para hoje e consiste no Capítulo 2 e versículos 13-18. 
O evangelista nos relata sobre a perseguição herodiana para com os recém nascidos até 02 anos de idade, por causa do Redentor que nos viria. Tamanha fora a revolta de Herodes que o mesmo mobilizou sua corte e os fez perseguir e matar os "santos inocentes" pelos arredores de seu domínio. Crianças inocentes, puras, que mal sabiam o que estava acontecendo, foram executadas, afim de que entre elas se encontrasse o Messias, para que assim também ele o fosse exterminado. Famílias defenderam seus membros e com eles sofreram o "martírio da separação entre a vida e a morte", pessoas foram "injustiçadas" e muito sangue inocente fora derramado a pedido de Herodes. Conta-nos ainda, o evangelista, que a profecia de Jeremias havia se cumprido, pois "Raquel chora a morte de seus filhos" (Jr.31. 15).
Com isso, podemos perceber a grande dor e o sofrimento causado pelo ato de Herodes às famílias da região de Belém. Imaginemos tamanha solidão das mães que perderam seus filhos a fio de espada e com golpes de lanças. Seríamos capazes de imaginar tamanha dor e desolação? Tamanha crueldade e aflição? Acredito que não!
Pensemos atualmente...Vemos em nossos noticiários todos os dias os fatos de mortes, assassinatos, execuções, abortos, prostituições, explorações na área do trabalho e o que mais nos assusta e comove: isso acontece com nossas crianças! Tantas crianças se perdem no mundo e são usadas como objetos lucrativos, não possuindo assim nenhum valor humano e se deixando perder a identidade. Você conhece algum caso de exploração infantil? Não? Então você precisa olhar mais atentamente para nossa sociedade.
A passagem nos evoca a olharmos para nossas crianças. A pura inocência ainda existe, mas corre sérios riscos. O que hoje fazem com nossas crianças é desumano e inconcebível! Nossa atitude deve ser de luta contra esse tipo de ato. Nossas mãos devem se unir para que isso não mais aconteça e o nosso comodismo deve ser exterminado.
E agora? existem "Santos Inocentes" ainda hoje?
Lutemos para que nossas crianças não percam sua inocência e sejam preservadas da maldade humana! Peçamos, portanto, a intercessão destes pequeninos que deram o testemunho da fé com sua própria vida!
Santos Mártires inocentes, Rogai por nós!