sexta-feira, 12 de julho de 2013

Um Santo simples....um homem chamado João Maria Batista Vianney! (Parte final)

"Ars não é mais Ars; está mudada"! - Catarina Lessagne



Continuando nossa reflexão sobre este Santo homem de Deus que muito nos tem a ensinar e dizer, inicio com a frase acima citada: "Ars não é a mesma; está mudada"! A célebre senhora que afirmou isto chama-se Catarina Lessagne. Esta fora, sem dúvidas, a mais íntima fiel unida a São João Maria Vianney. Zelosa, piedosa e ardente de amor pelos paroquianos, Catarina dedicou-se sem reservas ao serviço apostólico juntamente com o Santo.
É fato que Ars havia mudado com a presença de João Maria. Seu zelo e dedicação, levava as pessoas à conversão do coração e à mudança radical em suas vidas. Conta-se que o Santo entrava nos locais de danças e bares daquela região e pregava o Santo Evangelho, convertendo, no local, as pessoas e levando-as para a simples e modesta Igreja o que, evidentemente, as levava para mais próximas do Senhor na sua Palavra e na sua Santa Comunhão eucarística. 
No ano de 1824, por inspiração divina e doação de sua parte, criou a casa da Providência. Tal organização era um escola para meninas e crianças vindas de paróquias e lugarejos vizinhos. Tal serviço era prestado gratuitamente e a doutrina da Santa Igreja era ali pregada e ensinada, além dos estudos que eram possíveis de ser oferecidos às mesmas. Com a ajuda de Catarina e de Joana Maria Charray, São João empenhou-se com a obra e não esmoreceu frente às críticas e ataques perversos que lhe eram feitos por ocasião desta edificação em prol da reparação material e espiritual dos assistidos.
Conta-se que as peregrinações a Ars aumentavam mais e mais com a "fama" do santo pregador. Eram horas e horas de confissões atendidas na simples e modesta sala onde atendia em seu confessionário de madeira pobre e marcado pelo tempo. Suas refeições eram simplesmente esquecidas por ele; suas simples batatas que lhe eram oferecidas por causa da situação financeira da paróquia, muitas vezes eram deixadas por horas, dias e meses. 
Suas obras não param por aí. Cria também uma casa para acolher meninos aos moldes da primeira edificada. Frente às peregrinações, o santo aumenta a Igreja, construindo capelas em honra a Santa Filomena e a Capela "ECCE HOMO". Animou a vida paroquial com as confrarias e irmandades, sem falar na fiel devoção à Santíssima Virgem
Em maio de 1843, São Vianney fica gravemente doente. Eram os primeiros sinais do seu "fim" para esta vida terrestre. Mesmo com sua recuperação, a doença da pleuro-pneumonia não o abandonou, deixando-o debilitado e frágil. 
Pe. Raymond após anos, transferiu-se para Ars afim de ajudar o Santo Cura em suas tarefas. Enfrentando sérios problemas com as pessoas, Pe Raymond via-se obrigado a comportar-se severamente e isso causou grandes desgostos ao pobre e debilitado João Maria Vianney. 
Nas idas e vindas da vida, Vianney com sua saúde cada vez mais débil, encontrava forças para os atendimentos e pregações, das quais nunca se desfez. Uma de suas maiores alegrias foi a aclamação do Dogma Mariano da Imaculada Conceição, no ano de 1854, pois este era fiel devoto da Virgem. 
"O bom Deus fez-me comer pão branco no fim dos meus dias. ele sabe que os pobres velhos precisam do miolo do pão". Esta foi umas das exclamações de Vianney nos seus últimos dias. No dia 02 de Agosto de 1859, o Pe. Beau, outro auxiliar enviado a Ars, ministrou a Unção dos Enfermos no Santo Cura. Noa dia 04 daquele mês, veio a falecer o Santo Sacerdote, ocasionando grandes peregrinações a Ars em vista deste ocorrido. Os sinos de Ars dobraram refinados e seu corpo fora exposto na sala do presbitério paramentado solenemente com sobrepeliz e estola, como costumava atender os peregrinos.
Hoje Ars é adornada com imagens e monumentos que homenageiam o Santo que nem sequer quis tirar uma fotografia em sua época. Existe apenas uma foto sua original, a qual mostra o Santo em seu leito de morte paramentado.

Diante dessas magníficas passagens, nós nos perguntamos: O que eu tenho feito pelo reino de Deus? Ver a alegria e a docilidade do Santo Cura nos "irrita", no sentido de nos "provocar". Ele nos desinstala do comodismo, das paixões que sofremos sejam corporais, materiais ou espirituais. Ele nos faz tremer em relação às nossas atitudes que muitas vezes parecem perversas e enganadoras. O Santo Cura fala conosco ainda hoje; nos exorta, nos faz amar a Igreja e servi-la sem temor no coração. Sem dúvidas, ele continua nos chamando para seguir a Cristo. Ele foi exemplo e ainda é! Padroeiro dos párocos e Vigários, bem como de todos os sacerdotes. Sua memória litúrgica é dia 04 de Agosto, dia que sua vida foi entregue efetivamente a Deus através de sua morte!

Rezemos sempre pelos nossos Padres os que são nossos Verdadeiros pastores a exemplo de Cristo Bom Pastor que deu sua vida às ovelhas do rebanho!

Que Deus nos abençoe hoje e sempre!

Até o próximo texto!



sábado, 29 de junho de 2013

Um Santo simples....um homem chamado João Maria Batista Vianney! (Parte 02)


"Mostra-me o caminho para Ars, que eu te mostrarei o caminho para o céu"!

Com esta bela frase do nosso São João Maria Vianney, inicio esta segunda parte da sua história, a qual, na minha opinião, é muito rica e nos trás reflexões sobre como está nossa conduta perante Deus, como temos levado nossa vida de penitência e mortificação, como temos encarados os pequenos sacrifícios que precisamos fazer para nos prepararmos para os maiores que virão, enfim, vamos ver mais um pouco desta história!
Após ordenado sacerdote, o Padre Vianney recebe sua primeira missão; fora nomeado Coadjutor de seu incentivador Pe. Balley em Ecully e, sem dúvida, foram tempos de muito aprendizado pastoral para a vida deste santo homem, o qual cuidava das pessoas, do povo de Deus sem reservas. 
Tal Igreja tornou-se referência e um clima da "Igreja primitiva", onde os fiéis se ajudavam mutuamente, faziam penitências e jejum em prol de algo e doavam-se uns aos outros diariamente, fez daquela paróquia uma sinal de luz em meio à escuridão dos tempos vividos naquele contexto de França. Uma de suas paroquianas afirma em um certo momento que "Há uma graça misteriosa em suas palavras" e tal fato é gerado por causa de sua dedicação às leituras hagiográficas (Vida dos santos), clima profundo de oração e submissão total à vontade de Nosso Senhor. A fama do recém sacerdote, deste modo, tornou-se crescente e com ela vieram os percalços e críticas severas, tanto da parte dos demais clérigos que o conheciam, quanto do povo que não estava contente com suas pregações e com elas não concordavam, Pe. Vianney, pelo contrário, sempre esteve atento à voz de Deus e a Ele obediente!
Meses passados, o Pe. é Transferido à Ars, onde grandes ocasiões o esperam. Tal lugarejo não possuia mais do que 370 habitantes e ali haviam tabernas, bares, locais de danças e perdição que, segundo o padre, impediam o povo de ver a Deus. A caminho de Ars (foto acima), Pe Vianney perdido busca informações com um pastorinho que estava em seu caminho e pede que este lhe mostrasse o caminho para Ars e este menino, negando a ajuda, recebe a exortação de Vianney: "Mostra-me o caminho para Ars, que eu te mostro o caminho para o céu" e olhando atentamente vê o campanário e algumas casas bem simples e ali, naquele exato local, o jovem padre cai no chão de joelhos e reza devotamente a Deus pela sua missão!
Chegando ao local da Capela, vai direto ao Santíssimo e por ali passa horas e, quase sem dormir, termina e, ao mesmo tempo, inicia sua nova missão como sacerdote do Altíssimo.
Os pobres móveis que herdara do Pe. Balley foram colocados na modesta casa paroquial e aos poucos suas dependências foram sendo instaladas, tudo, é claro, com muita simplicidade e até porque não dizer, muita pobreza!
Inicia-se um grande passo para a vida da aldeia de Ars; o jovem sacerdote, tomado de amor e zelo pelas coisas de Deus, dá um passo inicial na reforma do campanário que fora destruído pela Revolução, coloca um novo sino, fecha rachaduras, reforma o teto da capela, enfim, de tudo faz para que a Igreja seja acolhedora e que os fiéis nela se sintam bem.
As pessoas, aos poucos, foram se achegando ao jovem padre e ele mesmo também ia ao encontro de seu rebanho. Conta-se que ele parava no caminho das pessoas que, cansados voltando de seus trabalhos, paravam para ouvir um pouco de suas histórias que aqueciam o coração. Visitava famílias, abriu as portas da casa paroquial que possuía um jardim repleto de nogueiras, oferecendo, assim, às famílias as nozes que ali eram produzidas; 
"O nosso cura não é como os outros, ele é um santo" afirmava guilherme Villier, um morador do vilarejo que muito contribuiu para o processo de Canonização do Santo. A afabilidade, o amor e o respeito que tratava todos era o diferencial da vida de João Maria; todas as pessoas que por ele foram atendidas relataram que seus direcionamentos eram inspiradores e motivavam as pessoas no progresso da caridade e da fé!

Nesta segunda parte caminhamos um pouco mais com o Santo Cura! Vimos sua primeira missão, bem como sua posterior tarefa de "restaurar Ars". Sua fama de santidade fora algo marcante em toda sua caminhada; sua mística inspiradora e sua fé inabalável, especialmente seu amor e zelo pela Santíssima Eucaristia, eram trechos de uma longa história construída por Deus, em Deus e com Deus!
Sejamos assim também nós! Façamos tudo por Ele e Nele para que um dia, estando com Ele, possamos gozar de plena e eterna alegria e satisfação de noss'alma!

Até a próxima

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Um Santo simples....um homem chamado João Maria Batista Vianney! (Parte 01)


Queridos Leitores, paz do Coração de Jesus a vós!!!

Começo com uma frase deste santo que nos servirá de inspiração: "É necessário trabalhar neste mundo, é necessário combater. Teremos toda a eternidade para descansar".

Em sua vida sacerdotal, São João Maria Vianney, o chamado Cura d'Ars entregou-se totalmente à causa do Evangelho de Jesus. Doou-se sem reservas às pessoas, ao rebanho que lhe fora confiado no pequeno vilarejo de Ars, na França.
Nascido em 08 de Maio de 1786, o pequeno João Maria Vianney passou pelos terríveis momentos de guerra na França, onde a Igreja dividiu-se em meio às crises sociais e políticas ficando, assim, de um lado um grupo de padres (juramentados) e um outro grupo (refratários), os quais se submeteram à clandestinidade. A simples e modesta família Vianney acolhia estes padres do "segundo" grupo em sua casa humilde e "assistiam" à Santa Missa nestes tempos terríveis. Talvez atitudes como essa tenham sido o despertar vocacional daquele que se tornara um dos maiores exemplos de vida ascética e mística daquele tempo, daquele povo e lugar!
O Santo conta em seus relatos que, mais tarde, ao alcançar a idade prescrita, preparou-se para sua Primeira Eucaristia: "Minha confissão primeira foi embaixo do relógio da cozinha" e tal fato ocorreu em 1797, porém com inúmeros percalços, o pequeno necessitou mudar de residência e fez sua Comunhão com o Senhor apenas dois anos mais tarde!
Uma das pessoas mais importantes da vida vocacional deste santo, fora, sem dúvida, o Pe. Balley, um homem de Deus que fora transferido para os arredores de Lion e que evangelizou o coração de Vianney. No ano de 1806, Vianney dirigiu-se à sua mãe contando a ela sobre seu desejo do sacerdócio, porém, com todas as dificuldades que a família deste passava, seria difícil mantê-lo em um seminário com os devidos custos. A voz profética de Pe. Balley afirma: "Se for para este, eu aceito me sacrificar"! Deus sondava o Coração de Padre Balley e infundia nele a decisão de arriscar-se por João Maria!
Entre tantos desafios que tivera, João Maria dedicou-se com afinco aos estudos, porém não alcançava sucesso e tinha muita dificuldade em aprender; humilhações, zombarias e rebaixamento sofreu o jovem! Na época o processo de aprovação era diferente do qual se conhece hoje; era necessário uma série de exames e testes para tornar-se sacerdote e, somente assim, dirigir-se ao povo de Deus como representante da Santa Igreja de Cristo.
Após muitas turbulências, o Santo celebrou sua primeira missa em 14 de Agosto de 1814. Quanta alegria no coração do jovem sacerdote; sentimento de vitória e conquista, tudo em nome de Cristo e da sua Igreja!

Nesta primeira parte, vimos como a vida vocacional de São João Maria Vianney se desenvolveu; seus momentos de alegria, sua família piedosa, seus méritos e todo seu esforço feito para chegar ao sacerdócio, especialmente sua dificuldade nos estudos eclesiásticos. Sim meus amigos, os Santos que hoje tem a honra dos altares sofreram tribulações e perseguições também! Digo também, pois sabemos das nossas lutas diárias, de nossos enfrentamentos e, como diria alguém, "dos leões que temos que matar todos os dias"! Quando nossos esforços são dirigidos e mergulhados no Mistério de Cristo, tudo parece ter mais sentido! É evidente que não é nada tão obvio e claro sempre; dúvidas fazem parte da caminhada e os questionamentos também, mas Deus é Aquele que não pode faltar nesses momentos; se Vianney não tivesse Deus como ponto de partida e de chegada, ele não seria o que foi e jamais haveria alguém que escrevesse sobre ele tendo passado tantos séculos!

Até a próxima!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A vida, a viagem, as malas......o que levar e o que deixar?!?!




Caríssimos leitores, enfim, voltei...creio que desta vez seja pra valer!rs

Ainda a pouco, estava pensando em escrever algo; algo diferente do que já fora escrito até agora aqui no meu blog. Por isso, pensei em trazer uma reflexão "antiga" que eu já havia feito tempos atrás.
Comparar a vida com uma viagem e, ainda mais, com as malas que fazemos ao viajar!
Pode parecer estranho e complexo ou simples e banal, mas para mim tem muito significado tal comparação. não sou de escrever difícil muito menos sou poeta, apenas sou sincero nas palavras e creio que elas trazem nossos sentimentos à vida escrita, registrada!

Com essa correria de todas as férias, precisamos fazer as malas para passar dias com os familiares e amigos. Estive pensando em algo muito concreto: nossos caminhos e nossas opções e aquilo que temos de "bagagem" que nos seja um suporte para a vida no dia a dia!
Quando fazemos malas pensamos: "Levo isso ou levo aquilo"?; "Será que lá tem isso"?; "Deixo Isto" etc e quando você vai ver já tem muitas coisas desnecessárias dentro da mala! Ao chegar no aeroporto você se depara com a seguinte situação: "Senhor, suas malas excederam o peso"! Você paga o excesso ou deixa algo; a escolha é sua! Chegando no seu destino você abre a mala e vai lembrando, aos poucos, daquilo que você escolheu levar; são tantas coisas que você já nem lembra mais! Você "usa" aquelas coisas e quando chega  ao final de seu "tempo de folga", ainda corres o risco de não ter usado tudo, de ter que deixar algo para caber outras coisas e até mesmo de levar de volta o que trouxe com um pouco mais de coisas!
É assim com nossa vida! Nossas experiências, sejam elas negativas ou positivas, nos levam a ser o que somos no presente! Cada escolha que você faz e a consequência que vem com ela te ensina algo novo que, às vezes, pode parecer "coisa velha", mas é um novo ensinamento para tua vivência!
Escolher o que "colocar na mala" é estar seguro de teus caminhos e de tuas opções! Ninguém escolhe um caminho que não deseja; nossa opção pelo bem ou pelo mal, é NOSSA! Você escolhe por onde ir e deves saber que as consequências que virão, serão fruto de tua decisão! Ninguém viaja "de malas vazias"! Por mais que sentes que tua vida não tem sentido ou que você "já era", saiba que sua "carga" é o que te fez ser o que é! Não se esqueça disso!
"Deixar coisas" é despojar-se daquilo que não tem servido mais para você! É o contrário do ser apegado demais! Precisamos escolher, todos os dias, o que fazer, a quem ouvir, o que sentir e o que deixar de lado; é a rotina da vida, o curso normal!
Pode ser que no curso da viagem, você é chamado a descer e a carregar com sua própria força sua mala e aquilo que trazes consigo! E aí?!?! Será que você será capaz? A resposta será positiva somente se você, como já lembrou um amigo meu, estiver "com sua história nas mãos"; ter posse de sua história é saber responder os apelos do cotidiano, da vida e entender o porque de muitas coisas! Ser "dono de si" é ser consciente do que você foi e será, sem perder o que é, no presente, no agora da vida que, daqui uns segundos, já é passado e abre uma nova possibilidade, um novo recomeço!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

As dores de Maria Santíssima


Caríssimos irmãos e irmãs na fé em Cristo! Paz do Coração de Jesus a vocês!


Hoje, nesta segunda feira santa, gostaria de levar uma reflexão sobre as dores de Maria a todos vocês!
Reveladas a Santa Brígida, as sete dores de Maria Santíssima nos remetem aos mais dolorosos e decisivos momentos que viveu a Virgem, em sua santa obediência a, por causa dos planos de Deus, por Jesus e por nossa salvação.
A profecia de Simeão "e quanto a ti, uma espada traspassará a tua alma" (Lc. 2,35) confirmou a Maria que este menino seria causa de contradição, mas também de salvação, a qual traria grandes dores, ou seja, o livre assentimento de Maria, veio carregado de dores e ultrajes, dos quais a mãe do Salvador e nossa deveria passar, vencer. A saída imediata da Sagrada Família de Nazaré; "levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito" (Mc. 2,13) revelou a Maria que este seu filho não teria morada fixa e que sua dedicação ao Reino de Deus, implicaria nesta incerta caminhada em busca dos mais necessitados. A perda do menino em Jerusalém durantes os três dias; "começaram então a procurá-lo entre os parentes e conhecidos" (Lc. 2, 44) foi um grande acontecimento que marcou a vida da Sagrada família e a resposta do Menino 'Não sabeis que devo ocupar-me com as coisas do meu Pai?', mostrou com autoridade a Missão de cuidar do Reino de Deus e semeá-lo entre os povos. Maria acompanhou a via dolorosa. Em meio a multidão acompanhava silenciosamente sofrendo com seu filho, as blasfêmias e insultos que o mesmo recebia. A quarta dor de Maria é a subida ao monte calvário vendo seu filho carregando a cruz. O grande sinal de nossa salvação e vida plena, foi a morte de Cristo, o qual, de braços abertos e livremente se entregou em favor de nossos pecados. Revelada à Santa Brígida, esta quinta dor de Maria, ou seja, a crucifixão de Jesus em meio a dois ladrões conforme nos narra o Evangelho de  João "lá, eles o crucificaram com outros dois, um de cada lado, ficando Jesus no meio" (Jo. 19, 18), marca nossa redenção pelo sangue de um Deus que homem se fez. Recebendo o corpo de seu filho em seus braços, Nossa Senhora viu-se em meio às dores e lamentos, porém, confiava sempre que os planos de Deus eram maiores e Nele depositava sua esperança. Por fim, nos conta Santa Brígida, que a ela fora revelada também que, o sepultamento de Jesus, foi uma das grandes dores de Maria, onde ela viu-se despedindo de seu amado filho, o Cristo Salvador!
Estimados amigos, quando tive contato com essa prática de nossa piedade popular, fiquei muito comovido e percebi que Deus nos enche de oportunidades únicas. Uma dessas é essa oração! Sem dúvidas, somos repletos de atividades, trabalhos e ocupações, mas Deus colocou em nós também o desejo de reviver alguns momentos que marcaram nossa vida; por que não revivermos, de fato, a paixão, morte e ressurreição do Senhor dedicando-nos a oração e práticas concretas? Creio que seríamos melhores se vivêssemos espelhando-nos no exemplo de Cristo que se deu por nós, de Maria que renunciou seus planos para aceitar os de Deus e de inúmeros santos que conhecemos, os quais deram sua vida LIVREMENTE e se doaram em favor do Reino de Deus!
Gostaria de encerrar este texto com um convite: Rezemos a oração conclusiva desta meditação, seguida de 07 ave-marias, saudando e fazendo memória às dores desta mulher amada e humilde!

Oração: Santíssima Virgem, eu creio e confesso vossa santa e Imaculada conceição, pura e sem mancha. Ó puríssima Virgem Maria, por vossa Conceição Imaculada e gloriosa prerrogativa de Mãe de Deus, alcançai-me de Vosso amado Filho a humildade, caridade, obediência, pureza de coração, corpo e espírito, a perseverança na prática do bem, uma santa vida e uma boa morte (faz-se um pedido)... que vos peço com tanta confiança. Amém!

domingo, 1 de abril de 2012

Domingo de Ramos e da Paixão


Caríssimos irmãos e irmãs na fé em Cristo! Paz do Coração de Jesus a vocês!

"Saudemos com hosanas o Filho de Davi! Bendito que nos vem em nome do Senhor! Jesus, rei de Israel, hosana nas alturas".
 (Antífona de entrada da Celebração de Domingo de Ramos - Missal Romano)

Hoje, com muita alegria e festividade, a Santa Igreja celebra o domingo de Ramos e da Paixão, onde Cristo, o Messias salvador é acolhido por muitos em Jerusalém. Acolhida repleta de paradigmas, pois, alguns o acolhem livremente e, ao mesmo tempo, outros se preparam para "atacá-lo" e planejam como pegá-lo e condená-lo.
A atitude do Cristo é simples e, como sempre, humilde que mostra serviço e obediência. Antigamente o sinal de poder era a entrada triunfal de algum imperador ou líder montado em um grande e poderoso cavalo. O Cristo, porém, decidiu-se por um jumento, animal utilizado para serviço e que também carregava os mais desprovidos de bens e prestígios. Esta foi a escolha do Senhor; escolha pelo serviço e doação. Ele muito bem podia ter escolhido um grande cavalo e usar do poder que, de fato, ele tinha. Mas não, optou pela simplicidade!
Grande gesto que me chama a atenção, é o do povo de Jerusalém. Conta-nos o Santo Evangelho que "muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam apanhado pelos campos. [...] gritavam 'Hosana ao Filho de Davi'" (Cf. Mc. 11, 8-9). Aquelas pessoas nada tinham, mas tamanha era a alegria por acolher em sua terra o Messias salvador, apanharam logo o que pelo caminho viam, se alegravam e com isso que tinha - os ramos, aclamavam entre gritos e cantos "Hosana ao Filho de Davi"! Estender o manto significa doar-se, entregar-se totalmente por uma causa, ou seja, a atitude daqueles que seus mantos estenderam foi de "preparar a passagem do Senhor", recebê-lo em, além de em sua cidade, mas também em suas vidas.
Queridos amigos e irmãos na fé, que nossa atitude seja de acolhida ao Cristo. Que nossa Semana Santa seja, de fato, uma Santa semana. Revivamos os passos do Senhor e nosso Deus Salvador que por nós se entregou na cruz, abraçando livremente a Paixão para dar-nos a vida nova e plena. Celebrar a Semana Santa não é "viajar para aproveitar o feriado", mas sim participar da vida litúrgica da nossa Igreja. Semana Santa acontece uma vez por ano, feriados temos sempre em nosso ano civil!
Minha prece a Deus é que muitos sintam-se chamados à vocação que receberam, seja ela qual for, nesta Semana Santa, assim como a minha foi se despertando ao longo de toda a minha infância e, com tudo isso, hoje sou seminarista e almejo a vida religiosa e o sacerdócio.
Rezo por todas as comunidades que fazem suas celebrações, para que, com dignidade e reverência, celebrem a vitória do Senhor sobre a morte.
Fazendo menção à Campanha da Fraternidade deste ano, a qual trás o tema da saúde pública, que nós, assim como fizeram as pessoas com o Cristo, tenhamos fé e coragem de tocá-lo para sermos curados e que Ele toque os corações de todas as pessoas encarregadas de tal missão - cuidar de nossos enfermos, afim de que sejam sempre iluminados e conduzidos pelo bem maior: Fazer o amor de Deus acontecer plenamente em nossos dias!

domingo, 4 de março de 2012

Quaresma - Deserto e crescimento


Caríssimos irmãos e irmãs na fé em Cristo! Paz do Coração de Jesus a vocês!


Como já é de nosso conhecimento, iniciamos o Tempo da Quaresma na vida litúrgica da nossa Igreja. Este tempo nos remete a reflexões mais intensas, penitência, oração, jejum, práticas de caridade fraterna, mas sobretudo, nos convida à conversão. 
"Eis o tempo de conversão". Converter-se significa mudar, alterar o percurso que se esta fazendo para que melhor sejam dados os passos, rumo à santidade, rumo a Deus, rumo ao céu. "Mudar de rumo" é, sem dúvida, a atitude daquele se reconhece pecador, levanta seu olhar e segue a voz do Pai.
É muito comum ouvirmos analogias, interpretações e até mesmo grandes explicações sobre o deserto. Já ouvimos falar que este é um local seco, sem vida, árido, quente, onde se caminha dias e dias e não se chega a lugar algum, a não ser somente em imensidões de areias regadas a sol quente, local onde a água é escassa e, quase sempre, inexistente, enfim, inúmeras interpretações sobre esta localidade. Porém, é necessário dar significado a tudo isso, o deserto é sim, um pouco de tudo isso, mas o deserto nos trás vida, é isso mesmo! Vida! quando se "passa por um deserto", vive-se mais sabiamente, mais santamente. Ao passar por este local árido e seco, você se fortalece e pode-se considerar um vencedor.
Os "desertos" vencidos por nós podem ser grandes ou pequenos; totalmente vencidos na seca ou com alguma quantidade de água; às vezes deserto apenas parcialmente; por vezes vivido intensamente às vezes não, enfim, existe sempre um aprendizado com o deserto, com esse local de passagem, local de purificação; e assim se cresce, vencendo desertos na vida!
Nas Sagradas Escrituras encontramos as narrativas das tentações que o Cristo sofreu em nosso nome para cumprir a vontade de Deus; Ter, poder e prazer (Mt. 4, 1-11), onde o diabo "oferece" "pão", reinos e coloca Jesus à prova sob inúmeros aspectos. Essas tentações também nós sofremos, porém, Cristo estava em oração constante no seu "momento de deserto", ou seja, estava o Senhor pronto para vencer às tentações diabólicas.
Creio que nós devemos irmãos e irmãs estar prontos, sempre prontos, ou melhor, sempre vigilantes e agirmos com prudência, pois, as tentações sempre virão mas nossa capacidade de lidar com elas e de vencê-las é algo a ser conquistado e, para que isso ocorra, devemos estar com os ouvidos atentos a voz de Deus, com o coração intimamente ligado a Ele e com a voz pronta para anunciar seu Reino!
Que nesta quaresma sejamos capazes de lidar com nossas práticas penitenciais e com elas aprendamos verdadeiros valores da vida cristã!